This story is fiction, and any events or near-similar events in actual life which did transpire have not prejudiced the author toward any figures involved or uninvolved; in other words, the mind, the imagination, the creative facilities have been allowed to run freely, and that means invention, of which said is drawn and caused by living one year short of half a century with the human race . . . and is not narrowed down to any specific case, cases, newspaper stories, and was not written to harm, infer or do injustice to any of my fellow creatures involved in circumstances similar to the story to follow.


(Charles Bukowski, "The Murder Of Ramon Vasquez")
Mostrando postagens com marcador Canção do amor vulgar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Canção do amor vulgar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O anjo mau

3 comentários:
"O amor é um cão dos diabos", diz Bukowski, esse é o título de um de seus livros de poesia. Comprei por isso mesmo, pois Mirna me aparecia mefistotélica, assombrando-me de alguma profundeza infernal. E vi o livro, no jornaleiro, e o quis para mim. Era dia e era claro, mas Mirna tornava tudo nublado, não o escuro-milagre mas o escuro-susto, e eram dias em que eu esperava por uma ligação como que por algo fora desse mundo.

Me lembro bem. O celular tremendo nas mãos, o coração, descompassado, as pernas fluidas como água, a vontade de abandonar tudo e voltar para ela, óbvio, quando e se ela quisesse. E os cães do diabo latindo maliciosos, Mirna, luciferina inquisidora para me expiar os pecados.

Ah, os pecados. Sofremos por muito pouco. Quisera pecar muito mais. Enquanto esperava sentado, lia os poemas de Bukowski. "Agora me pegou de jeito", dizia um deles, algo assim, reproduzo de memória, "agora acusei o golpe". E eu que nos últimos dias nada fazia senão sofrer golpe após golpe a ponto das mãos tremerem, do coração descompassar e das pernas se desmancharem. Mais uma página, mais um poema. Tenho a impressão de parecer ridículo, mas é ilusão: as pessoas enxergam apenas um homem emocionado lendo um livrinho qualquer.

Esperando sentado e lendo Bukowski. O amor é um cão dos diabos, Mirna, Mirna, o sorriso lindo esconde o anjo mau que há em você.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Post só para falar mal de Mirna

Nenhum comentário:
O tempo é curativo, o tempo permite olhar pra trás com melhores olhos. Ontem não sabia, agora sim; amanhã mais ainda. E tempos depois eis Mirna, mas Mirna como que congelada no calendário. Mirna que mantém o mesmo espírito, o mesmo temperamento, e quando digo isso me refiro também ao aspecto ruim. Mirna que não alçou vôo, que não rompeu o círculo, Mirna que mantém a tradição trágica dos antepassados.

A Mirna sem progresso algum.

Já eu esse tempo todo... Ah, os livros que li, as experiências que vivenciei. Da sarjeta ao céu, o despencar na cauda do cometa, o flutuar na estratosfera. Eu que fui ao limbo e voltei, e que como o sufi Rumi rasguei minhas roupas em pedaços, eu que já não queria nada, eu que passei a querer. Ah, e os lugares... Vocês já falaram com o Diabo cara a cara? Tenho a impressão da minha alma crescer ao ritmo do universo.

Mirna, não. Optou pelo pequeno, pelo prosaico, pelo rapaz da cidadezinha vizinha. Serei justo: não é que ela não queira partir. Sente o impulso, mas é mais forte que ela. O círculo vicioso aperta como uma anaconda. Mirna está fadada a mera mãe de família, matrona feliz a costurar as meias do rapaz da cidadezinha.

Reencontrar Mirna tanto tempo depois é estranho. Deixando de fora a beleza pouco resta. A frugalidade, quem sabe a inconsistência, o espírito volúvel; o egoísmo, talvez. Imaturidade, decerto. Vendo com os óculos do tempo passado, concluo: sem Mirna, fiz vôos maiores. Foi melhor assim, e respiro sereno, como um homem que relembra sem mágoas uma tragédia há muito passada.

Assomando no horizonte, enquanto isso, está Alice, como uma promessa (ou uma ameaça).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Coisas impossíveis

5 comentários:
Coisas impossíveis
às vezes me pego a imaginá-las.

Experimente um dia:
é divertido.

Mas coisas impossíveis mesmo.

Neve no Saara
E peixe afogado

são coisa de amadores.

Um telefonema de Mirna
ou capitalismo humano

isso sim é inconcebível.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Fica o blogueiro notificado

4 comentários:
Sr. Blogueiro

Fica V.Sa. notificado de que minha cliente, a srtª Mirna ***, não autoriza, permite ou concede que seu (dela) nome seja citado, escrito, referenciado ou lembrado nas postagens deste blog, de qualquer forma que seja. Não autoriza, permite ou concede que seja usada como musa inspiradora, nem tampouco que lhe seja atribuída a prática de despedaçar corações. Fica V. Sa. notificado de que minha cliente mal se recorda do breve espaço de tempo em que estiveram juntos e, apesar de deixar consignado aqui que foram bons momentos, já estão há muito superados pelo tempo. Minha cliente deixa claro que a insistência de V. Sa. em expor sua relação perante o público -apesar da baixíssima quantidade de leitores de vosso blog-, causa constrangimento, constrangimento alheio, inclusive, conforme ela faz questão de frisar, dado ser ridículo que um homem adulto se humilhe publicamente dessa forma como V. Sa. tem feito.

Fica o blogueiro notificado de que quaisquer sonhos que porventura venha a ter com a srtª Mirna ***, de teor afetivo ou romântico, devem ficar restritos aos devaneios pessoais de V. Sa., sendo vedada sua divulgação; já os eróticos estão mais que proibidos (notadamente por ser V. Sa., conforme minha cliente, um "devasso", expressão dela). Melhor dizendo: fica V. Sa. terminantemente proibido de trazer a srtª Mirna *** para vossos sonhos, quaisquer que sejam, mesmo os mais cândidos.

Fica o blogueiro notificado, por fim, de que o descumprimento do aqui exposto importará nas medidas judiciais cabíveis.

Nestes termos,

Dr. Clóvis Sobral Pinto Barbosa
OAB/RJ 374738192

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Se há pérolas nessa história

Um comentário:
Uma coisa que acho engraçada, quando penso em Mirna, é que talvez nunca venha a saber o quanto foi importante. Não culpa minha, em mostrar, mas dela, em perceber. Muito amor dado em vão para quem não merece. Então no instante da revolta eu me lembro do bíblico "não jogar pérolas aos porcos" e a heresia, contra o mito cristão e contra Mirna, me satisfaz por um tempo. Até que a maldita música volte, os malditos lugares ressurjam, e as recordações abram caminho novamente. E a heresia dá lugar à contrição.

O amor dado a Mirna não foi pérola aos porcos. "Eu nunca, nunca mesmo, queria te fazer infeliz", ela disse, "se for para isso prefiro colocar a cabeça no lugar". E quem diz algo assim possui uma nobreza insuspeita, ao menos que seja fingimento. Mas isso tudo é indiferente. Afinal, não há que ter revolta: ao amor basta amar. Ser correspondido é mero detalhe. E pérolas valerem muito, e porcos pouco, são apenas juízos de valor, preconceitos repetidos desde a Bíblia. Se há pérolas nessa história, eram os dentes de Mirna ao sorrir.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Astrônomo de coração partido

3 comentários:
Até gostaria de falar mais dela, mas de Mirna ficou apenas o efêmero: como a tempestade que logo em seguida dá lugar ao sol. Perguntar o que é o efêmero diante do universo, por outro lado, tem pouco valor prático. Como não? Até o universo cedo ou tarde se desmanchará. O universo e o amor de Mirna, um e outro de fragilidade insuspeita.

Falemos do universo, então. A profundeza cósmica lembra Mirna. É que os olhos dela são escuros e escondem buracos negros: a matéria e você são tragados. Ela e o universo, do caos à supernova, início e fim fechando um ciclo. E sempre com estrondo.

De Mirna sobrou apenas poeira cósmica.

A astrofísica moderna diz que todos somos feitos de sóis. A ciência se desdiz a cada instante, mas isso faz sentido. Só assim posso entender os olhos de Mirna, escuros e de buracos negros escondidos. E o astrônomo, de coração partido, preferiria estar perdido nas imensidões de Alfa Centauro.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Noite em branco

Nenhum comentário:
A noite em que Mirna disse "não sei, estou confusa", foi a mais longa de minha vida. Os físicos e astrônomos nos enganam: dizem que o dia tem vinte e quatro horas e que a noite ocupa metade disso. Esquecem de dizer que há noites que são duas, três, centenas de vezes isso; noites em que nos debatemos na cama impacientes, olhos abertos no escuro profundo. Noites em que voltamos ao relógio reiteradamente, ansiosos pela aurora. Quanto falta para o amanhecer?, nos perguntamos, quanto falta para Mirna?

Há noites assim, na história dos homens. Os jovens medievais, quando se sagravam cavaleiros, passavam a noite anterior à cerimônia em vigília rezando na capela. As horas noturnas antes da ordem de ataque, no campo de batalha. O atleta na véspera de uma competição importante. Até que se chegue ao exemplo da vigília por excelência, a agonia bíblica no jardim das oliveiras.

Noites em branco. Tão antigas quanto a Humanidade.

A noite em que Mirna disse "não tenho certeza, estou mal" durou exatamente quatrocentos e trinta e oito horas, mil e novecentos e treze minutos e setecentos e cinquenta e nove segundos. Talvez mais, pois o sol nunca demorou tanto a nascer como naquela ocasião. As noites polares duram um semestre. Mas mesmo que tarde, o dia vem sempre. Já de Mirna, eu nada sabia, não poderia saber se meu sol nasceria de novo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Arquiteto de sonhos

Um comentário:
Eu era um arquiteto de sonhos, enquanto aguardava por Mirna na mesa de bar. O futuro todo era erguido, de casas a filhos, de carros a empregos. Mirna simbolizava a mudança-em-si: o cenário diante de nós era novo. E eu, como um malabarista, rodopiava no ar tantas visões a se construir enquanto aguardava na mesa de bar.

Eu não imaginava o que era fantástico: repudiava as quimeras. Ao contrário, o que projetava era concreto, realizável, eu diria, sensível ao tato. Castelos no ar para fincá-los em terra firme. Queria aquilo que se consuma. Para longe de mim com as utopias, naquela mesa de bar, e gole sobre gole eu projetava nossas vidas.

Eu era um arquiteto de sonhos, então, mas de sonhos palpáveis. Pouco depois, contudo, aprendi que Mirna, também ela, nada mais era que ilusão fugaz.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Encostado nos carros no escuro da rua

Nenhum comentário:
Encostado nos carros no escuro da rua, eu despejava ao celular tudo o que sentia, o tudo como expressão real, sensível (no sentido de tocável) do sentimento, "sentimento sensível", ficou ruim mas é isso mesmo. A redundância às vezes ajuda. E com Mirna eu era mais que redundante, era um disco em alta rotação, meu alfabeto não terminava no "z" pois voltava ao "a", o fim emendado no começo e tudo prosseguia ad infinitum.

Pois eu não me cansava de dizer que estava entregue. A entrega cabal do meu coração, vermelho e palpitante, nas mãos de menina. Um homem orgulhoso não pode entender o que é isso, o orgulho faz de tudo ridículo, mas quando a entrega é total nos despimos também do ridículo (aliás nos despimos tanto que sobra quase nada). Eu não me cansava de dizer que estava entregue, e repetia e repetia.

Pelo celular ela ouvia, ria e incentivava. Talvez a vaidade, de ter o coração de um homem em suas mãos, talvez o medo, de ter o coração de um homem em suas mãos. Mas nem um nem outro Mirna transparecia, e ouvia, ria e incentivava. E dizia que com ela estava sendo assim também.

Acho que foi um erro, lembrando hoje, ter reiteradamente repetido que estava entregue. Vaidade ou medo, não são sentimentos bons de estimular. Mas, e eu pensava essas coisas enquanto desligava o celular e caminhava para casa, uma vez entregue não se pode mais voltar atrás.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Refresco aguado enquanto espero ela

2 comentários:
Esperava a ligação dela, impacientemente. Passado o encontro, com companheiros de uma força política, a ansiedade, esquecida momentaneamente, voltou com tudo. Despedi-me dos companheiros e tomei lentamente o rumo de casa, conferindo de minuto a minuto o celular, esperando o chamado, o recado, algo qualquer. Cinelândia, Passeio Público. E a fome (dela também, mas me refiro à do estômago), e parei em uma padaria. Salgados e pães muito pouco apetitosos, alimento pouco apetecível ao espírito; mas era tarde e outras opções não havia, era preciso mandar algo pra dentro, saco vazio não para em pé. Pedi um sanduíche de presunto, presunto azedo, percebi já nas primeiras mordidas, empurrei pra dentro o máximo que consegui ajudado pelo refresco aguado de maracujá. E retomei o rumo de casa.

Nada de Mirna dar notícias. Subia as ruas como um bêbado, cambaleando agora não só de fome como de enjôo, o sanduíche caíra muito mal no estômago. Mas é só o celular tocar e tudo passará, tem sido assim com ela, as pequenas coisas se tornam ainda menores quando se fala com Mirna. Mirna, a menina com o dom de apequenar todo o resto. Eu? O contrário, com ela me sentia grande.

Já em casa, no quarto. Recomposto, banho tomado, estirado na cama- e é agora que Mirna entra em contato, a mensagem direta na tela de brilho suave do celular, "você vai me ligar?", como não, minha menina, tudo se apequena outra vez e já estou cá discando os números.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...