This story is fiction, and any events or near-similar events in actual life which did transpire have not prejudiced the author toward any figures involved or uninvolved; in other words, the mind, the imagination, the creative facilities have been allowed to run freely, and that means invention, of which said is drawn and caused by living one year short of half a century with the human race . . . and is not narrowed down to any specific case, cases, newspaper stories, and was not written to harm, infer or do injustice to any of my fellow creatures involved in circumstances similar to the story to follow.


(Charles Bukowski, "The Murder Of Ramon Vasquez")

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Paranoia na noite

Precisei informá-lo mais uma vez: "-Não, o sujeito não está olhando pra você". Porque Rodolfo, quando encasquetava com algo, era capaz de passar a noite remoendo o assunto. Daí estava lá agora, em pé, tenso, olhando com o rabo de olho para o suposto adversário. O suor escorria pelas têmporas, a testa de veias dilatas brilhando como nunca. A cara de um verdadeiro assassino, e o suposto adversário, totalmente alheio a tudo, afinal o sujeito não estava mesmo olhando para Rodolfo.

Paranoia. O que fosse, não sou psiquiatra.

"-Rodolfo, relaxe. Dê seu copo pra eu encher". Álcool é relaxante, não é mesmo? Despejei mais cerveja para ele, que bebericava sem perder o suposto adversário de vista. E tudo corria na mesma, o barulho na rua defronte, a rua movimentada de bares onde estávamos, caixas de som pululando ao redor. Gente de todos os matizes. Pensando bem, não era mesmo um ambiente relaxante, com o álcool que fosse. Paranoicos como Rodolfo precisam de momentos serenos, como um chá das cinco com a vovó ou uma ária no Theatro Municipal, se é que alguém em sã consciência (repetindo, não sou psiquiatra) consegue imaginar Rodolfo num chá das cinco ou ouvindo ária.

O trabalho artesanal, entre os soldados orientais do passado, era incentivado. Para contrabalancear com toda a violência da guerra, um toque de sensibilidade em nervos graníticos. Arte acalma, álcool acalma, tudo acalma, e olhar as meninas passando também acalma bastante, e é o que Rodolfo deveria fazer ao invés de se preocupar com um suposto adversário lhe encarando.

2 comentários:

  1. Deixa ele tomar um chá comigo pra tu ver, se ele acalma ou não acalma ;)

    Escreve mais ! Senti falta...

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  2. Sim sim, retomei os trabalhos, rs

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